Um intercâmbio entre jovens pernambucanos e guineenses através do olhar fotográfico. Essa é a proposta do projeto Brasil-Guiné Bissau Olhares Cruzados pela Identidade, que ocorre no Recife entre os dias 24 e 29 de agosto. O projeto é promovido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e desenvolvido pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Imagem da Vida.

No Recife, o Brasil-Bissau tem o apoio da Secretaria Especial de Justiça e Direitos Humanos do Estado (SEJUDH). E foi por um programa desenvolvido pelo Governo de Pernambuco que o projeto chegou até aqui. O Minha Certidão tem como objetivo erradicar o chamado subregistro civil, levando os cartórios para dentro das maternidades públicas e já ganhou o reconhecimento do Governo Federal. Tanto que foi da própria Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República a demanda para que o Brasil-Bissau fosse desenvolvido no Recife.

"Articulamos por um ano a criação do Programa Minha Certidão, que é fundamental para dar cidadania às pessoas. Várias instituições estão trabalhando de forma conjunta e o programa hoje é uma prioridade do Governo do Estado", destaca o secretário-executivo de Justiça e Direitos Humanos, Rodrigo Pellegrino. Segundo ele, cerca de 21% das crianças nascidas nos hospitais de Pernambuco saem da maternidade sem registro, o que traz implicações por toda a vida. Sem registro, não é possível participar de programas sociais ou se matricular nas escolas, por exemplo. Pellegrino lembra que o programa Minha Certidão está em fase experimental em duas maternidades de Pernambuco. Em breve, deve ser ampliado para toda a Região Metropolitana e, em seguida, aplicado nacionalmente.

O projeto Brasil-Bissau será realizado com alunos da escola Maria Tereza Correia, localizada no bairro Alto José do Pinho. Serão 30 jovens com idade entre 12 e 15 anos, participando de oficinas lúdicas, de desenho, fotografia e redação que têm como objetivo sensibilizar a comunidade para o respeito aos direitos humanos, dando ênfase à importância do registro civil de nascimento. Durante a semana, esses jovens conhecerão o material coletado em oficinas realizadas em escolas da Guiné Bissau. “A proposta é que a pessoa saiba que tem um interlocutor em outro lugar do mundo”, explica a coordenadora do projeto, Dirce Carrion.

Do lado de cá, também farão fotografias entre si e participarão de oficinas diversas. Além disso, atuarão como repórteres, entrevistando pessoas consideradas peças-chave para o funcionamento da comunidade em que vivem. Segundo a coordenadora, esse projeto tem como objetivo não apenas focar na troca cultural, mas principalmente trabalhar o direito à identidade. Por isso, destaca a identidade desses líderes da comunidade, bem como a dos próprios jovens.

No Brasil, estão envolvidas comunidades de Pernambuco e da Amazônia. A produção coletada nessas comunidades, assim como as resultantes do trabalho em Guiné Bissau, irão compor o livro Brasil-Guiné Bissau Olhares Cruzados pela Identidade e um vídeo-documentário. “Muitas dessas crianças nunca tiveram um livro e agora terão um em que elas estão retratadas, mas não de cima para baixo, registrada da maneira como ela se vê, dentro da sua comunidade. Um livro onde ela se vê reconhecida”, destaca Dirce Carrion.

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